
A criação de suínos é uma prática presente na maioria das propriedades rurais. Alguns produtores os tem para alimentação da família, outros para comercialização. As famílias que trabalham com a agroecologia tem um respeito muito grande com o consumidor de seus produtos. Logo a forma de produção segue princípios de sustentabilidade. E com isso o uso de venenos, adubos químicos, sementes híbridas/transgênicas, rações com altas taxas de hormônios são insumos que na propriedade não entram e nem se usam. Portanto, o reaproveitamento de restos de culturas, comidas e outros alimentos mais saudáveis e naturais é uma prática comum nas criações animais e cultivos vegetais das famílias que compõem o Projeto Terra Sem Males.
A criação de suínos da família Oliveira (Hilário, Madalena, Letícia e Paulo) em Cacaulândia se faz de modo diferenciado. Eles tem em média 20 cabeças entre leitões e leitoas, matrizes e reprodutor, todos mestiços com Piau. Os mesmos são criados no sistema semi-confinado, ou seja, durante a noite ficam presos na pocilga (matrizes, leitões na fase inicial de vida e reprodutor) e durante o dia ficam soltos no piquete de 10 x 40 m com amendoim forrageiro por 3 horas. Depois são manejados para o quintal agroecológico, no qual encontram restos de frutas que os macacos e passarinhos comem e derrubam no chão, além de pastejar plantas que são palatáveis (macias) e leguminosas como mucuna preta e puerária.
PIQUETE: A pastagem do piquete é composta pelo Amendoim Forrageiro (Arachis pintoi), uma leguminosa rica em proteína bruta - cerca de 19%, em potássio e fósforo de acordo com pesquisas da EMBRAPA – Acre. Valor muito bom para leguminosas tropicais e que a torna recomendável para consorciação com as brachiárias, que geralmente são pobres em proteínas. As mudas do amendoim foram trazidas à propriedade dos Oliveira pela EMBRAPA de Porto Velho, há 4 anos. A espécie A. pintoi é nativa do Cerrado e tem despertado o interesse de pesquisadores em âmbito nacional e internacional por sua potencialidade para uso como forrageira e como cobertura verde em culturas perenes. Ela serve de alimentação para bovinos de corte e leite, aves e suínos.
Além da alimentação encontrada na própria natureza a Família Oliveira trata os suínos com “lavagem” (restos de comidas, vegetais, soro do leite da fabricação do queijo), um pouco de milho, pupunha na época da chuva, restos de cana e mamão. Os animais são alimentados 2 vezes ao dia, uma na parte da manhã e outra no final da tarde. Mas o Sr. Hilário afirma que o uso da leguminosa Arachis pintoi, apesar de ser uma área pequena, ajuda a economizar cerca de 30% da alimentação que seria fornecida aos animais nas duas refeições. Portanto é uma boa opção de alimentação tanto para suínos, bovinos e aves, principalmente para quem trabalha com criações em piquetes, fazendo as divisões com cerca elétrica, aumentando a área plantada e diminuindo a necessidade de fornecimento de alimentação como milho ou ração. Como afirma o Sr. Hilário: “Ao soltar os animais no piquete eles vão como muita intensidade para comer o amendoim, sendo, um sinal de que ela é muito palatável aos animais”.
Texto: Gisele Francioli Simioni (Técnica Agrícola) e Roseli Maria Klauck Magedanz (Agrônoma)
Fotos: Arquivo Projeto Terra Sem Males