Agosto, mês vocacional. Sendo que, depois do chamado à vida e, em seguida, ao seguimento de Cristo pelo Batismo, a Vocação Matrimonial é fundamental, lembrei-me desta afirmação de Jesus, quando alguns fariseus o questionaram a respeito de alguém repudiar a mulher. Veja Mt. 19,3-8.
Sem dúvida, é mais do que necessário relembrar esta palavra de Cristo no mês vocacional, sendo o chamado à Vida Matrimonial um dos serviços essenciais para a vida da Igreja, como lembra Dom Antonio na “Carta ao Povo de Deus”, à página 9. O mês vocacional convida a retomar os ideais dos vários chamados específicos, que Cristo, pelo seu Espírito, dirige às pessoas batizadas.
Penso que a afirmação de Jesus: “Mas no início não era assim!”, pode ser aplicada também a outras situações. Alguns exemplos.
Na Comunidade quem decide se vai ter festa e que tipo de festa, se vai se construir o que e pra que, e outras coisas, é o CPC ou a Coordenação ou, às vezes, até só uma pessoa que coordena. “Mas no início não era assim!”. Veja At. 6,1-7: a Comunidade se reuniu e resolveu a questão, orientada pelas e junto com as Lideranças. As normas de nossa Santa e Pecadora Igreja, também as Litúrgicas, são as mesmas para todos os lugares, sem levar em consideração as culturas e mentalidades diferentes dos vários povos. “Mas no início não era assim!”. Veja At. 15,22-31: “... os apóstolos, os anciãos e a comunidade inteira decidiram ....”.
Quando uma Paróquia precisa de um Padre para atender o Povo de Deus, é o Bispo que tem a preocupação de ver quem vai mandar. E a Paróquia recebe quem o Bispo manda; e na maioria das vezes é alguém nem conhecido ou pouco conhecido pela Comunidade Paroquial. "Mas no início não era assim!". É história da Igreja que, até pelos anos 700/800 da Era Cristã, os Presbíteros {Padres} e os Diáconos eram escolhidos pelo Povo reunido com toda liberdade. Em nossa Igreja Particular de Ji-Paraná estamos na espera de um novo Pastor, de um novo Bispo, pois infelizmente Dom Antonio já completou o seu mandato. Quem será e quando? Ninguém sabe. Quem vai decidir é o Papa, o Núncio Apostólico, que nunca tiveram oportunidade de pisar nestas paragens. "Mas no início não era assim!". A mesma história da Igreja diz que, até pelos anos 700/800 da Era Cristã, o Bispo era escolhido pela Igreja Local, com toda liberdade, entre os cristãos e, eleito, era reconhecido pelos Bispos da região. E 700/800 anos não é pouco tempo!
Naturalmente não podemos ser tão simplórios e pensar que estas questões podem ser enfrentadas e resolvidas do mesmo jeito. Mas é certamente muito bom recuperar as raízes e os princípios, que, nos primeiros séculos, nortearam a caminhada de uma Igreja de fato “comunhão e participação”. Um dos princípios fundamentais era, e deveria continuar sendo: “O que interessa a todo mundo deve ser conhecido por todo mundo, refletido por todo mundo, discutido por todo mundo e assumido por todo mundo”.
E permanecem questões em aberto, cuja solução a Igreja como um todo deverá encontrar um dia! É a questão de Gênero; é a questão da falta de Ministros Ordenados para que as Comunidades Cristãs possam ter normalmente a Celebração da Eucaristia no Dia do Senhor; é a questão dos Ministérios confiados a Leigos e Leigas; é a questão das conseqüências práticas de afirmações como esta: “Não se deve esquecer que Leigo e Leiga são, antes de tudo, cristãos e membros da Igreja, a pleno título”
{Missão e Ministérios dos Cristãos Leigos e Leigas - Documento 62 da CNBB, nº. 109}
O Senhor da História abençoe e fortaleça o chamado que lhe fez.
Coordenador Diocesano de Pastoral
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